quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Um Pouco da História do Jazz

Nascido do blues, das work songs dos trabalhadores negros norte-americanos, do negro spiritual protestante e do ragtime, o jazz passou por uma extraordinária sucessão de transformações no século XX. É notável como essa música se modificou tão profundamente durante um período de apenas um século.


O termo jazz começa a ser usado no final dos anos 10 e início dos anos 20, para descrever um tipo de música que surgia nessa época em New Orleans, Chicago e New York. Seus expoentes são considerados "oficialmente" os primeiros músicos de jazz: a Original Dixieland Jass Band do cornetista Nick LaRocca, o pianista Jelly Roll Morton (que se auto-denominava "criador do jazz"), o cornetista King Oliver com sua Original Creole Jazz Band, e o clarinetista e sax-sopranista Sidney Bechet. Em seguida, vamos encontrar em Chicago os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke, e em New York o histriônico pianista Fats Waller e o pioneiro bandleader Fletcher Henderson. Em 1930 o jazz já possui uma "massa crítica" considerável e já se acham consolidadas várias grandes orquestras, como as de Duke Ellington, Count Basie, Cab Calloway e Earl Hines.


A evolução histórica do jazz, assim como da literatura, das artes plásticas e da música clássica, segue um padrão de movimento pendular, com tendências que se alternam apontando em direções opostas. Em meados dos anos 30 surge o primeiro estilo maciçamente popular do jazz, o swing, dançante e palatável, que agradava imensamente às multidões durante a época da guerra. Em 1945 surge um estilo muito mais radical e que fazia menos concessões ao gosto popular, o bebop, que seria revisto, radicalizado e ampliado nos anos 50 com o hard bop. Em resposta à agressividade do bebop e do hard bop, aparece nos anos 50 o cool jazz, com uma proposta intelectualizada que está para o jazz assim como a música de câmara está para a música erudita.
O
cool e o bop dominam a década de 50, até a chegada do free jazz, dando voz às perplexidades e incertezas dos anos 60. No final dos anos 60, acontece a inevitável fusão do jazz com o rock, resultando primeiro em obras inovadoras e vigorosas, e posteriormente em pastiches produzidos em série e de gosto duvidoso. Hoje existe espaço para cultivar todos os gêneros de jazz, desde o dixieland até o experimentalismo free, desde os velhos e sempre amados standards até as mais ambiciosas composições originais para grandes formações. Mas qual seria o estilo de jazz próprio dos dias de hoje? Talvez o jazz feito com instrumentos eletrônicos - samplers e sequenciadores - num cruzamento com o tecno e o drum´n´bass. Se esse jazz possui a consistência para não se dissolver como tantos outros modismos, só o tempo dirá.


Confira abaixo o diagrama da evolução do jazz, segundo apresentado por Joachim-Ernest Berendt em seu livro:Jazz: do Rag ao Rock.



texto retirado do site:

http://www.ejazz.com.br/ojazz/historico.asp

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Origem do Estilo


a. LIVRO: “O JAZZ - do rag ao rock” págs. 131 a 135, de Joaquim Berendt
Editora Perspectiva


SPIRITUAL E GOSPEL-SONG


Existem alguns observadores que chegam a afirmar que a música gospel teve papel mais importante no desenvolvimento do moderno rock, pop e jazz do que o próprio blues. Charles Keil conta que em Chicago, a capital mun­dial do blues, existem pelo menos 40 igrejas para cada local onde se toca blues ou jazz. Isso significa que o jovem negro tem 40 vezes mais chances de ouvir gospel do que blues...

O jazz e a gospel-song são tão intimamente ligados que a maioria das grandes cantoras do jazz iniciaram suas carreiras como cantoras de igreja. Entre elas podemos citar Sarah Vaughan, que representa, vocalmente, para o jazz moderno aquilo que Charlie Parker o foi como instrumen­tista; Dinah Washington, já falecida, que era considerada the queen do rhythm and blues e que era não apenas can­tora mas também pianista e a já citada Aretha Franklin. O contrário também aconteceu. A grande cantora do gos­pel, a já falecida Sister Rosetta Tharpe, veio do jazz onde, nos anos 30, foi uma famosa vocalista dos conjuntos de Cab Calloway e Lucky Millinder. E o mais famoso com­positor de gospel-songs, Thomas A. Dorsey, iniciou sua carreira nos anos 20 e início dos 30 em Chicago como um pianista de boogie-woogie e blues.
O guitarrista Danny Barker conta, a respeito de Bessie Smith: “Para as pessoas que iam muito à igreja antigamen­te nos Estados do Sul, como eu o fazia, não havia grande diferença entre o canto de Bessie Smith e o de um prega­dor ou evangelista. Ela era, em certo sentido, o que é hoje um BilIy Graham...”
E o tocador de banjo do início do jazz Bud Scott, cantava: “Buddy Bolden ia à igreja todo domingo era lá que buscava as idéias para o seu jazz...”


retirado do site:

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